"O Som da Minha Vida" está de volta e com a casa mais arrumada. Neste episódio, vamos andar entre contrabandistas, cabrones e silêncios. O Paulo Cavaco é um homem dos sete instrumentos, mil ofícios e generosidade infinita. É mesmo boa pessoa. Faz do som vida e com a vida faz sons. Desafiei-o para assinar o novo tapete de entrada deste podcast e o resultado está ao ouvido. Boa escuta!

Francisco Rebelo é músico e produtor dos Orelha Negra, ajudou a fundar grupos como os Cool Hipnoise, é técnico de som e formador também na área do som.

O som da vida do Francisco tem tudo a ver com a liberdade.

Este episódio traz as pedras da canção-senha para a liberdade em Portugal que, ainda em menino, deixaram o Francisco com o som atrás da orelha.
A mãe dizia-lhe: "Chico, não podes ouvir essa música tão alto porque isso é uma música proibida"!

O Francisco é um poço de som! Ora escuta!

Os bons filhos à casa tornam.

Depois de uma saída temporária do Podbean, O SOM DA MINHA VIDA está de volta ao lugar onde já foi feliz.

Neste episódio, ouvimos os sons da vida de Tomé Coelho, presidente da ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, e percebemos como a realidade produzida pelos sons é tão diferente da realidade produzida e transformada pelos gestos.

Boa escuta!

Hoje é o Dia Mundial da Rádio e este podcast celebra o primeiro ano de muitos sons de tantas vidas.

Hoje, partilho os primeiros sons gravados da minha vida, recolhidos pelo gravador analógico do meu pai. Por acaso, estes sons também dizem respeito a um dia de aniversário.

Maio de 1981.

O "Playback" do Carlos Paião era um hit nacional e havia sido escolhido para representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção.

Eu, o meu irmão João, a minha mãe e o meu pai. Os quatro à volta de uma modesta mesa e um bolo caseiro com duas velas acesas. A menina de cabelos castanhos claros, ainda curtos e aos caracóis, está de pé em cima de uma cadeira com assento de palhinha e prepara-se para mais um, o segundo, sopro de vida. Estão os quatro na mesa da cozinha, ao lado de uma porta de ferro. A menina está de vestido castanho com folhos nos ombros. A divisão a meia luz e tão iluminada. O pai e o gravador sempre em REC. A luzinha vermelha guarda as memórias sonoras para depois. A menina chama a família pela fita magnética e depois canta em "Playback" com o irmão.

REC, Play, Rewind, Forward, Eject.

Os sons da K7 (cassete) também são um dos muitos sons da minha vida.

Boa escuta!

 

 

 

O Som da Minha Vida está de volta, embora nunca tenha chegado a partir.

Hoje, ouvimos um episódio por camadas. É assim que a Isabel Meira escuta o mundo que a rodeia.

Para quem não sabe, a Isabel é "só" uma das melhores jornalistas da rádio portuguesa.

Este ano, venceu o Prémio Gazeta de Jornalismo, na categoria de rádio, com este trabalho.

Para já, ouçam o Som que é, ele próprio, a vida da Isabel. 

Cada frase da Luanda Cozetti podia entrar numa antologia de frases inspiradoras. A Luanda fala e as palavras e as ideias parecem sair ao ritmo de um metrónomo. Aparecem no lugar e no tempo certos.

A Luanda é a voz dos Couple Coffee, que acabam de estrear o quinto álbum: Fausto Food.

Nascida no Brasil, Luanda é filha do jornalista Alípio de Freitas que foi, num adjectivo, um resistente.

A cantora não sabia, mas foi ela quem apertou o gatilho para o arranque deste podcast. Na verdade, foi o jornalista e escritor Viriato Teles que um dia, em conversa comigo na rádio, partilhou uma memória que a Luanda tinha dos tempos em que ia visitar o pai à prisão.

Nessa altura, ao imaginar os sons que hoje aqui se reproduzem e reconstituem, resolvi tirar da gaveta o podcast que há tanto tempo andava a ganhar forma na minha cabeça.

Portanto, a bem da verdade, o episódio de hoje bem que podia ser o episódio 1!

 

Episódio 15 - Rão Kyao

Chama-se João Maria Centeno Gorjão Ramos Jorge, mas ninguém diria. Nem diria que já tem 70 anos.

Para mim sempre foi Rão Kyao. Uma espécie de encantador de ouvidos com flauta de bambu.

Lembro-me de ser miúda, de fechar os olhos a ouvir Rão Kyao e sentir que estava noutro país, mesmo sem nunca ter andado de avião. Ou então sentia-me a sobrevoar uma planície ribatejana. Era como viajar sem pagar bilhete.

O som da vida de Rão Kyao é o som do "maior cantor e compositor do mundo".

Boa escuta!

Esta é a primeira vez - e provavelmente a única - em que a minha voz aparece por breves instantes, só para dar uma ajudinha.

Os números de 1 a 5, a bola do Manel, a mãe, o pai e o mano.

Estes são alguns dos sons de uma vida com 2 anos e meio. 

A vida do meu filhote mais novo, que quis agarrar no microfone e assumir o comando da gravação.

Este é o episódio do caçulinha num dia muito especial.

A Maria é um coração aberto.

E o som da vida da Maria de São José tem tudo a ver com corações.

Tenho por hábito dizer que a Maria é a minha alma gémea da rádio. Passamos horas na palheta a jogar ideias para a mesa, como quem joga cartas. 

Podia escrever um tratado sobre a generosidade e o talento da Maria de São José, mas bom bom é mesmo ouvi-la, à beira que está de fazer anos. E eu, só podia oferecer-lhe som. 

O som da vida da Maria.

Este é o primeiro Som da Minha Vida a dois.

Olga Cipriano e Júlio Martins partilham silêncios na aldeia do Figueiredo. 

Júlio trocou a cidade para casar com Olga e com a Serra da Archeira. Ele é gestor de segurança em parques eólicos e ela é gerente numa empresa de restauração.

Vivem à beira da A8, à beira do centro de Torres Vedras, de moinhos gigantes de vento, do sossego, do ar puro, do chilrear dos pássaros e dos latidos do cão da vizinha, mas também vivem à margem dos transportes e da rede de telemóvel.

Estou sim? Sou o silêncio.

Quando cheguei à beira do Miguel, já ele tinha a memória sonora na ponta da língua porque já era ouvinte deste podcast e porque, fundamentalmente, também gosta e vive do som.

Já fez locução, animação, produção, sonoplastia, anúncios publicitários, documentários televisivos e é professor na Universidade Autónoma de Lisboa e no Cenjor.

Passeia de mão dada na rua com bandas sonoras na cabeça, é um romântico e um apaixonado pelo Benfica.

Boa escuta!

 

Tem daquelas gargalhadas que apetece gravar e inventou a língua do "pochokotoi". 

A Cláudia é jornalista da rádio, da televisão e é uma repórter das palavras.

Foi o filho Pedro, ainda no ventre, quem lhe apresentou Pixinguinha, um compositor brasileiro e um dos maiores embaixadores do chorinho brasileiro.

Do Pixinguinha passou para o pochokotoi. 

(para ouvir, basta carregar no play ou fazer download. Boa escuta!)

Eu devia ter os anos da adolescência. 

Devia andar nas voltas de carro familiares por entre a serra do Bando, perto de Mação, quando a TSF nos trazia a voz e a edição do João Paulo Baltazar, ao ritmo d'O Som dos Pedais. Até hoje, ficou como um dos meus programas favoritos, a par de Um Lugar ao Sul, do Rafael Correia, na Antena 1.

Eu já era som. Muito por influência das piratarias radiofónicas do meu pai, António Colaço. Trago, na verdade, muitos nomes no meu ouvido. E referências.

O João é isso para mim e para muitos. Uma referência. 

Fundou a TSF, onde esteve cerca de 25 anos, e hoje é o director de informação da rádio pública.

"As pancadas de Molière da realidade", definição assinada pelo próprio, são os sons da vida de João Paulo Baltazar. Com Z!

 

O Paulo...ai o Paulo, o Paulo, o Paulo...

É professor de Media Digitais, coordenador do iNOVA Media Lab, fundador dos Bagabaga Studios e da revista Divergente e etc, etc, etc...

...e tem uma parede de guitarras e, vá, até tem alguns dedos para a coisa.

Mas o que é que eu estou para aqui a escrever?

O Paulo é o pai dos meus filhos e uma das vozes da minha vida.

 

Os sons da Patrícia são de orgulho e preconceito. 

A advogada que ofereceu metalada no dia do casamento comemora, este ano, bodas de prata com Portugal.

O açúcar continua na voz e é uma trabalheira dizer palavras salgadas no português de Portugal.

A Cristina Santos é das vozes mais bonitas da rádio. E faz filigrana com as palavras que nos oferece ao ouvido.

Tão rebelde como o trovão-menino-jesus. Tão doce como o melro que a acorda todos os dias.

Estes são os sons da vida da Cristina.

Carlos Alberto Ferreira matou Guida Scarllaty há 20 anos e foi viver com a mãe para o Brasil, depois de ter sido um dos pioneiros do transformismo em Portugal. 

Mas Guida renasceu das cinzas há sete anos e voltou com os cabelos loiros, os vestidos rosa-choque, os lábios carnudos, vermelhos e as pestanas falsas e farfalhudas.

Podem vê-la, todos os sábados, na Fábrica Braço-de-Prata em Lisboa, nunca antes das 23h30 e nunca depois da 1h30. Não tem hora certa para começar.

Estes são os sons da vida ora do Carlos, ora da Guida.

 

O som da vida do Carlos Felgueiras Sousa é uma odisseia no espaço dos decibéis, abafados por almofadas e mãos nas orelhas. A culpa é do pai. E ainda bem.

O Carlos é ouvidos, olhos, imaginação e bom humor. Depois de alguns anos a trabalhar como sonoplasta na Antena 1, hoje é editor de imagem na RTP. 

Boa escuta!

 

A Inês Santiago tem 54 anos e já teve quase tudo. Hoje tem quase nada, mas o sonho de arranjar um emprego com livros, "nem que seja a limpar-lhes o pó". 

Conheci a Inês em reportagem para a Antena 1, num dos bairros mais pobres do Monte da Caparica, concelho de Almada.

Ouçamos o som e as tempestades da vida de Inês, à procura da bonança.

António Macedo é o homem que nos acorda todas as manhãs. Ouvindo-o, dispensam-se apresentações.

O som da vida de António Macedo é o primeiro som da vida da Rita. Mas há tantos outros...

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